Sorrosal

Via Ferrata del Sorrosal: Entre o medo e o arrojado?

americo_gonçalves_1

Em 2012 tive oportunidade de fazer uma férias como nunca tinha feito.Sendo amante de caminhadas, surgiu a hipótese de fazer um trek num dos locais mais bonitos da Europa: Os Pirinéus Aragoneses.

Considerei este trek como uma evolução natural da caminhada e foi com esse sentimento que pus as solas no caminho.Quem já fez a passagem da Brecha de Rolando sabe que este trek não é difícil, mas tem umas passagens que exigem algum cuidado, como é o caso das correntes antes da Brecha.

 

Com bastante cuidado e tremura nas pernas o passo foi ultrapassado! E esta passagem deu-me coragem para a actividade facultativa que estava prevista para o último dia: A Via Ferrata del Sorrosal!Esta via ferrata encontra-se na povoação de Broto, Espanha e no fim, considerei uma via relativamente fácil de realizar e com imagens que ficam no olho (ou se tiverem coragem de largar a mão – tirar uma fotografia).

 

Via ferrata del Sorrosal

Correntes na Brecha de Rolando!

Tem passagens verticais, horizontais, túneis, quedas de água e lagoas.Quando tirei o segundo pé do chão e olhei para cima, o que me veio à cabeça foi: “Porra! Ainda vais a tempo de voltar para trás!”- Mas não sei se foi a possibilidade de ficar com o orgulho esborrachado ou o começar a sentir a adrenalina a correr no sangue, a verdade é que lá subi! Seguindo todas as instruções de segurança dadas pelo guia, passo a passo, mosquetão a mosquetão, lá fui subindo. E se no início essa tarefa (colocação dos mosquetões) era uma confusão (ou seriam os nervos?), passados uns minutos reparei que, sem perder de vista a segurança, a tarefa de avançar metro a metro era feita de modo mais confiante, chegando ao ponto de aperfeiçoar a técnica de agarrar o mosquetão, abrir, colocar na linha de vida e fechar, tudo com o mínimo de movimentos e máxima segurança. Essa confiança foi necessária para ultrapassar zonas um pouco mais complicadas.

Via ferrata del Sorrosal

Palavras para quê…

Quanto à via propriamente dita, a parte inicial tem agrafos bem espaçados e num numero que permite avançar com tranquilidade, o que é importante numa fase em que os nervos ainda ditam as regras. Nas passagens horizontais, o avanço era realizado com recurso a cavilhas e algumas vezes, agrafos ou saliências da rocha, que não deixavam de dar uma sensação de vazio. Todos as passagens estavam bem preparadas e notava-se que a via tinha uma boa conservação. Não deixou de ser interessante uma parte em escada que dava acesso a um túnel.Depois de ganhar segurança e confiança na via, restou-me apreciar a actividade, admirar a paisagem e sentir que poucas pessoas poderão apreciar a natureza da mesma forma que eu.

Via ferrata del Sorrosal

Passagem aérea e exposta!

No fim, ficou um sentimento bom de cansaço enquanto se desfrutava de uma vista magnifica.Se farei outra via ferrata? Só posso dizer que muitas vezes, quando se abre uma porta, não é para se fechar outra vez!

Boas aventuras a todos!

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Lanhoso

Via ferrata na Póvoa de Lanhoso

Este verão, junto com um amigo de inúmeras saídas, fui fazer a via ferrata que sobe até ao Castelo da Póvoa de Lanhoso. Esta via, segundo parece, decorre sobre o maior monólito de granito da Península Ibérica, o monte do Pilar. Não há melhor sítio para construir um castelo e o de Lanhoso lá está.

Via ferrata lanhoso castelo

Via ferrata do castelo

A via ferrata parte da base deste enorme rochedo e leva-nos até ao castelo em pouco mais de quinze minutos, salvando um desnível de aproximadamente sessenta e cinco metros. É uma via de iniciação, com bastantes apoios para a progressão, embora a linha de vida apresente algumas imperfeições de carácter técnico, como por exemplo, parafusos expostos ou falta de laços de retenção nos troços verticais. A via é, em termos atléticos, acessível a todos. Em termos psicológicos destacaria uma travessia horizontal de uns quinze metros sobre um pátio considerável e uma secção vertical final de uns doze ou treze metros bastante aérea e exposta mas muito agradável e com excelentes vistas. Mas comecemos desde o início.

Deixamos o carro num pequeno parque de estacionamento na base do Monte do Pilar (local para merendas) e caminhamos uns cinquenta metros pela estrada de paralelo até à base do monólito. Atenção que esta zona é a saída de um rapel, e, já sabem … olho com o que vem de cima… Não existe nenhuma indicação, quer técnica, quer meramente informativa sobre a via.

A via começa aqui, com um movimento algo acrobático mas sem dificuldade assinalável, entre o monólito e uma pequena parede de rocha que formam uma espécie de pequena chaminé.

Via ferrata lanhoso inicio

Início da via

Via ferrata lanhoso inicio 2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Evolui pela base do rochedo no meio do bosque em terreno muito simples. É uma boa altura para instruir ou relembrar os menos conhecedores acerca das técnicas e procedimentos de segurança em vias ferrata.

Via ferrata lanhoso base

na secção mais simples

via ferrata lanhoso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Decorridos alguns minutos chegamos a uma primeira secção vertical. Aqui o cabo da linha de vida é mais grosso e tranquilizador. Sobem-se alguns metros pelos agrafos até uma bifurcação. Devemos continuar pela direita (o cabo que vai para a esquerda leva-nos ao início do segundo rapel a uns bons trinta metros da base).

Via ferrata lanhoso - pssagem mais complexa

Passagem mais difícil

Primeira secção vertical

Primeira secção vertical

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É aqui onde se encontra a passagem difícil pois dá a sensação que falta um agrafo. No entanto, uma placa de granito, proporciona bons apoios para progredir e as ancoragens estão espaçadas de forma conservadora o que é bastante adequado para uma via de iniciação.

via ferrata lanhoso

A passagem mais difícil – vista de cima

Via ferrata lanhoso - passo dificil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Passado este obstáculo a via torna-se mais vertical e, agora sim, aérea. É a subir na vertical que alcançamos a travessia horizontal que referi mais atrás neste texto. Tem uns bons quinze metros, perfeitamente horizontal, exposta, aérea, mas com excelentes apoios para as mãos e para os pés.

Via ferrata lanhoso - secção horizontal

A secção horizontal

Via ferrata lanhoso - secção horizontal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O final desta travessia dá início à parte mais espectacular desta via: uma secção vertical muito aérea e exposta, mas também com excelentes apoios. A linha de vida peca, como já disse anteriormente, pela falta de laços de retenção, mas, como as ancoragens estão muito próximas umas das outras, quase dá para desculpar…

Via ferrata lanhoso - secção vertical

Secção vertical final

Via ferrata lanhoso - secção final

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A via termina, com uma travessia horizontal para a esquerda, na base do castelo e no ponto de ancoragem do primeiro rapel. A descida faz-se pela estrada ou em rapel. Necessitam uma corda de sessenta metros (não dá de 55 metros) para efectuar dois rapeis encadeados de 30 metros cada um (bem medidos), e com final no início da via.

ferrata lanhoso

No topo da via

Rappel no castelo de lanhoso

Rapel de 60 m (30 + 30)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como se trata de um via com um baixo grau de dificuldade, aproveitamos o resto da tarde para treinar técnicas de segurança e progressão em vias ferrata com recurso a cordas, asseguradores e montagem de reuniões, para compromissos futuros com outra exigência…

Não se esqueçam que, por muito “acessível” que pareça uma via ferrata, a progressão faz-se sempre utilizando um sistema específico de auto-asseguramento cuja principal característica é a capacidade de dissipar a altíssima energia que advém dos elevados factores de queda que se geram nos acidentes em ferratas. A não utilização deste sistema implica correr um risco de morte perfeitamente inaceitável nos dias de hoje. Não se fazem ferratas com cabos ou fitas de ancoragem sem dissipador de energia.

Já fizeram ferratas? O que acharam da experiência?

Até à próxima e boas aventuras!

 
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