Técnica e Material

Antibott caseiros para os crampons

Uns antibott (antizuecos em espanhol) são um elemento fundamental. Estas lâminas, de plástico ou borracha,  evitam a acumulação de neve nos crampons. Esta acumulação é responsável pela perda da eficácia deste equipamento e compromete gravemente a segurança na progressão alpina. É frequente não se conseguir encontrar uns antibott para o nosso modelo de crampons e os “universais” nem sempre encaixam. Este artigo mostra como construir estas lâminas em casa e por um preço irrisório (o que não acontece com os das marcas oficiais). ler mais Antibott caseiros para os crampons
As botas

Como vestir-se em montanha: as botas

botas de montanha

 

As botas são um dos elementos da indumentária do montanheiro que deve merecer maior atenção. Podemos vestir ou despir casacos e forros polares, t-shirts, meias e gorros se necessitarmos mas as botas estão “lá” do princípio ao fim da nossa actividade. Escolher umas com cuidado e atenção pode ser a diferença entre arranjar “umas companheiras inseparáveis” ou um instrumento de tortura.

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Técnica e Material

Como vestir-se em montanha: teoria da cebola

O corpo humano demonstra uma capacidade de adaptação notável… mas não é ilimitada. Os factores ambientais, especialmente os relativos ao clima, são determinantes no funcionamento do nosso organismo.
A temperatura, a humidade e a altitude condicionam de forma decisiva a realização das actividades ao ar livre em geral e da montanha em particular. Os factores externos conjugam-se com varáveis internas (grau de transpiração ou o nível de intensidade física) e afectam de forma decisiva o nosso rendimento, comodidade e segurança na montanha.

vestir-se em montanha

Preparados para tudo…

Proteger o nosso corpo “dos elementos” é fundamental. É um erro pensar que o faremos através da utilização de muita roupa. Mais, um dos principais desafios com que se depara um montanheiro, excursionista ou alpinista é precisamente saber regular convenientemente a sua temperatura corporal. Uma temperatura demasiado elevada, implica uma maior transpiração (perda de fluidos) e menor rendimento muscular; temperaturas demasiado baixas implicam, maiores gastos energéticos por parte do corpo, menor disponibilidade física e mental, baixa concentração e, em última análise, hipotermia e por vezes, a morte.

 

 

cebola roxa

Disposição em camadas… estratégia a imitar!

Um tecido perfeito seria impermeável, transpirável e teria uma capacidade isolamento térmico adaptativa. Ora, tal tecido ainda não existe. Como solução, no montanhismo/alpinismo adopta-se o sistema de múltiplas camadas, conhecido carinhosamente como o sistema da cebola (o frio extremo das expedições polares obriga a uma abordagem algo diferente baseada no conceito de “barreira de vapor”).
O sistema consiste na utilização de três camadas (normalmente) de roupa de natureza e função diferentes.

 

vestir-se em montanha

Primeira camada:

vestir-se em montanha

a segunda pele!

Assim, a primeira camada, que é a que está em contacto com a pele, tem como principal função mate-la seca. É composta com tecidos de baixa condutividade térmica, constituindo-se uma primeira barreira às perdas de calor e ajudam a evacuar o suor. Secam com grande rapidez pois não absorvem água, até com o próprio “calor” corporal. Mesmo molhadas oferecem excelente isolamento térmico. Isto exclui, como já vimos noutro artigo, o algodão. São de espessura variável, dependendo do clima que se vai enfrentar ou do nosso grau de sensibilidade ao frio. São feitas de poliéster ou polipropileno, usam-se mais ou menos ajustadas e às vezes fazem lembrar um pijama. É preferível compra-las em duas peças: sweat-shirt e calças.
A camada intermédia ou segunda camada é para isolamento térmico. A sua missão é reter e manter uma camada de ar aquecido ao redor da pele. Por vezes, esta camada pode ser, ela própria, constituída por várias camadas de espessuras diferentes, em função das condições que se apresentarem.

vestir-se em montanha

Camada intermédia:

o forro polar!

o forro polar!

 

 

 

 

 

 

 

A camisola de lã, muito comum antigamente, está a ser progressivamente substituída pelo fleece ou forro polar. Este é um tecido de poliéster, não absorve água, seca rapidamente, é altamente resistente e a sua capacidade de isolamento é maior comparativamente à lã (para o mesmo peso).

Esta camada não é impermeável nem à água nem ao vento (os forros “windqualquercoisa, XPTO, YZWZ, Hidroqualquercoisa” não são completamente impermeáveis ao vento e muito menos à água) e destinam-se unicamente a isolamento térmico. A oferta de sweats, casacos, calças ou coletes é imensa e para todos os gostos e carteiras (pessoalmente prefiro os casacos pois com eles é mais fácil ventilar em caso de sobreaquecimento).

 

vestir-se em montanha

Camada exterior: vale cada centavo pago!

A terceira camada, a mais exterior, é a que está em contacto com os elementos. É aqui que se tem que gastar algum dinheiro. O oleado da loja de ferragens serve para passear o cão mas não têm lugar na montanha. Estas peças da nossa indumentária são as mais importantes pois constituem a principal barreira face aos elementos. Têm que ser impermeáveis e transpiráveis e é precisamente isto que as distingue de todo o tipo de ponchos, oleados e plásticos: deixam escapar a transpiração e impedem o vento, a chuva, a neve e o granizo de entrar. Para conseguir isto, utilizam uma membrana microporosa sendo o Gore-Tex a mais conhecida.Estas membranas contêm poros com uma dimensão milhares de vezes inferior a uma gota de água mas suficientemente grandes para se deixarem atravessar pelo vapor de água. Ao adquirir uma peça deste tipo temos que verificar se as costuras estão devidamente seladas (termo-seladas) pois é por aqui que a água entra em primeiro lugar.
O sistema da cebola, com as suas múltiplas combinações de espessuras e tecidos, é utilizado actualmente em inúmeras actividades de montanha, desde o pedestrianismo até ao alpinismo, em maciços de toda a Europa. O frio extremo dos Himalayas e dos pólos requer uma abordagem diferente que se encontra fora do âmbito desta web.
Boas aventuras!

Proximamente: Como vestir-se em montanha – as botas!

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O tecido mortal

O tecido mortal

montanhismoSe agarrarmos em dois cubos de gelo e envolvermos um deles com uma meia de lã, verificamos que este último derrete de forma bastante mais lenta do que o primeiro. Porquê?

Para responder a esta pergunta primeiro necessitamos entender dois conceitos distintos que se confundem com frequência: energia térmica e calor. Sem entrar muito nos domínios da física e química, Calor refere-se “à transferência de energia térmica de um sistema para outro – ou entre partes de um mesmo sistema – exclusivamente em virtude da diferença de temperaturas entre eles”. Assim, é incorrecto afirmar que um corpo possui calor. A energia térmica é uma forma de energia interna que os corpos ou sistemas possuem e está associada à temperatura que é, a grosso modo, o estado de “agitação” em que se encontram as suas partículas. A uma maior agitação corresponde maior temperatura e vice-versa.

Voltando ao exemplo inicial, admita-se que os dois cubos de gelo se encontramontanhismom com uma energia térmica semelhante e com uma temperatura bastante inferior ao ar que os rodeia. Este diferencial vai provocar uma transferência de calor entre o ar envolvente e os cubos de gelo, no sentido de ser atingido o equilíbrio térmico, provocando um “aquecimento” do gelo e a sua fusão. A meia de lã vai actuar como uma barreira nesta transferência, atrasando o processo.
Quando desenvolvemos actividades ao ar livre, muitas vezes a temperatura do ar encontra-se bastante mais baixa do que a do nosso corpo (mais ou menos 37 graus centígrados).

 

Começa imediatamente o processo de trmontanhismoansferência de energia para o ar envolvente (perda de calor).
Esta transferência, que até pode ser benéfica em caso de sobreaquecimento do nosso corpo, pode ser mortal noutras situações, com o aparecimento de um fenómeno conhecido como hipotermia. No sentido de minimizar esta perda precisamos de uma barreira eficaz que nos “isole” do ar exterior: roupa!

Os tecidos, entre outras propriedades, possuem capacidade de isolamento térmico. A lã, as penas e as fibras sintéticas são excelentes isolantes térmicos, ou seja, constituem uma barreira eficaz às transferências de energia. O algodão possui também uma razoável capacidade de isolamento térmico… se estiver seco! Conjugando a imprevisibilidade intrínseca das condições meteorológicas em montanha com a tendência revelada pelas fibras de algodão em absorver e conservar água em grande quantidade, desde a chuva ao suor do corpo, percebe-se imediatamente o porquê do título deste artigo. O algodão não tem lugar nas actividades de montanha a não ser em simples passeios estivais… e mesmo esses…
montanhismo

As fibras sintéticas, além de praticamente não absorverem água, são resistentes, oferecem um tacto relativamente agradável, são leves e possuem uma excelente capacidade de isolamento térmico.
Deixem as meias e a T-shirt dos Metallica para os concertos e arranjem roupa de fibra sintética para a montanha. Um dia será a diferença…

Boas aventuras!

 

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Técnica e Material

Progressão em vias ferrata

Já que estamos numa de ferratas, pareceu-me importante escrever um artigo sobre

Via ferrata Portugal

o modo como se efectua a progressão em segurança numa via ferrata. Comecemos pelas definições. Uma via ferrata (do italiano, caminho de ferro) é um itinerário preparado, normalmente nas paredes rochosas das montanhas, com escadas, pontes, cavilhas, agrafos, …, de forma a facilitar a progressão e proporcionar alguma segurança a quem os percorre. Apesar de algumas fontes situarem a sua origem na Itália, no maciço dos Dolomites no final do século dezanove, outras advogam o seu começo na Áustria. A Suíça, a França, Andorra e agora também a Espanha instalaram já uma grande quantidade de vias ferrata e estas são um atractivo turístico importante devido ao crescente número de pessoas que anseiam por uma aproximação ao mundo vertical, mas não querem ou desejam aprender as técnicas relativamente complexas da escalada e aceitar o grau de compromisso que esta implica, sobretudo em alta montanha. Aqui radica, desde há muito, um conflito entre os “verdadeiros escaladores” e os “outros”.

Penso que a montanha tem espaço para todos  mas as ferratas devem continuar confinadas às paredes sem interesse para a escalada ou o alpinismo. Não gostaria de ver uma ferrata no Naranjo de Bulnes, no Cervino ou no Eiger. Mas vamos ao que interessa verdadeiramente e comecemos pelo material. Para progredir com segurança nestes itinerários precisamos de material específico:

Ferrata equipamento

Equipado para a acção

obrigatório:

  • sistema dissipador para ferratas
  • capacete homologado de escalada ou alpinismo
  • arnês
  • luvas

muito aconselhado:

  • corda
  • fitas e cordeletes
  • conectores (mosquetões) de segurança
  • descensor/assegurador

útil:

  • mochila de ataque
  • frontal
  • roupa de abrigo
  • alimentos e água
  • Crampons e piolet (se a via é de alta montanha)

 

O arnês

Ferrata arnes

O arnês

O mais usual é o arnês do tipo cadeirinha, embora alguma literatura aconselhe que se complemente com um arnês peitoral. As crianças devem usar um arnês integral. Existem infinidade de modelos de várias marcas e preços. Adquiram um, de qualquer marca conhecida,  e devidamente homologado, e que seja cómodo (normalmente os mais cómodos são os mais acolchoados).

O dissipador

Ferrata set

O dissipador

O dissipador é a peça mais importante de todo o sistema. Em caso de acidente, os factores de queda que se geram numa via ferrata são enormes, mesmo em quedas muito curtas. Estamos a falar de valores de ordem 4, 5 ou 6. Se considerarmos que o maior factor que se pode gerar na escalada é de ordem 2, e este é extremamente perigoso pela força de choque que transmite, acho que dá para perceber que ninguém minimamente honesto e responsável faz uma ferrata sem um sistema dissipador de energia. Estes sets são constituídos por mosquetões  do tipo K (klettersteig), cabos ou fitas de ancoragem e um sistema que, em caso de queda, dissipa a enorme energia criada, absorvendo o impacto através de fricção em placas de dissipação ou  descosendo-se progressivamente no caso das fitas cosidas, quando submetidas a cargas com determinada intensidade. Neste momento, no mercado, existem dois sistemas: tipo V e tipo Y. Os primeiros (tipo V) já estão ultrapassados e são desaconselhados (1 conector à linha de vida), e portanto vou-me centrar nos segundos (tipo Y) com fita dissipadora ou placa (dois conectores à linha de vida). A vantagem destes é ter permanentemente conectados, excepto no momento da transição entre secções, dois mosquetões à linha de vida. Este facto torna-os mais seguros do que os primeiros, cuja principal característica é ter conectado, de forma alternada, apenas um mosquetão, condição necessária ao correcto funcionamento do dispositivo. Acrescento ainda que, em caso de queda, o sistema fica inoperacional para os de fita cosida (adeus dinheirinho!!!)  e os de placa carecem de reajuste, o que nem sempre é fácil de fazer. Pessoalmente, eu prefiro os de fita cosida do tipo Y, pois são simples de operar, duradouros, práticos e seguros.

O capacete

Capacete escalada

O capacete

 

Deve ser de escalada ou alpinismo e homologado.  O das obras ou o da bicicleta não serve. O capacete protege a cabeça do praticante em caso de queda e de precipitação de pedras ou de máquinas fotográficas deixadas cair pelo pessoal que está por cima de nós 🙂

Os capacetes hologados de escalada e alpinismo ostentam o selo CE/UIAA (Conformité EuropéenneUnion Internationale des Associations d’Alpinisme )

 

 

As luvas

Luvas para ferrata

As luvas

As mãos vão sofrer. São ferros, cabos de aço, correntes, cavilhas,… às vezes enferrujados e com farpas. Para não perder a sensibilidade ao trabalhar com conectores e outros objectos, eu uso umas luvas que expõem a ponta dos dedos, e só a ponta dos dedos. As de meio dedo podem ser dolorosas. Há quem use luvas integrais, mas pelo motivo exponho acima, não é o meu caso.

Corda, cordeletes, fitas e mosquetões

Corda para ferrata

Cordas, fitas e cordeletes

Apesar de não ser obrigatório, este material e o respectivo conhecimento para o usar é muito útil em montanha, e as vias ferrata não fogem a esta lógica. Muito pelo contrário, quanto os itinerários se tornam muito difíceis em termos atléticos ou psicológicos ou a qualidade das peças de progressão ou sistemas de asseguramento é duvidosa, nada melhor do que uma corda dinâmica de escalada e progredir montando reuniões e instalando pontos de seguro intermédios, progredindo-se em ensamble nas secções menos comprometidas. É a forma mais segura e é especialmente adequada quando realizamos estas actividades com companheiros menos habituados a estas andanças, sendo obrigatória a sua utilização com crianças, como sistema complementar ao dissipador.  Pessoalmente, uso duas cordas duplas (meia corda) de 30 metros. Algumas ferratas contemplam a realização de rapel, pelo que a utilização de uma corda com o comprimento adequado é necessária. É especialmente útil a sua utilização para situações de emergência e para abandonar a via em caso de chuva ou trovoada. Uma ferrata é um para-raios gigante. Nenhum de nós vai querer estar numa num dia de trovoada.

Descensor/assegurador

petzl reverso

3 em 1 – excelente!

O descensor/assegurador é um sistema que provoca fricção na corda para poder realizar o rapel ou assegurar um companheiro. Existem no mercado de vários tipos e marcas (oitos, cestas, placas,…). Eu uso um único aparelho, de uma conhecida marca, que tem três funções : assegurador, descensor e placa auto-bloqueante e só pesa 59 gramas. Dont leave home without it!!

Convém também levar uma mochila pequena (30 litros) com comida, água, roupa de abrigo, telemóvel,  frontal, manta térmica e, se estivermos em alta montanha, crampons e piolet. Deveremos utilizar uma roupa cómoda e calçado de montanha, com sola semi-rígida, salvo em ferratas que carecem de pés de gato, mas se fosse este o caso, não estaria a ler este artigo.

 

A progressão propriamente dita

A progressão faz-se utilizando as peças instaladas para o efeito: agrafos, cavilhas, escadas, correntes,

ferrata_agrafos e linha de vida

Agrafos e linha de vida

pontes, presas artificiais e a própria rocha. Normalmente, e salvo indicação em contrário, os itinerários são feitos no sentido ascendente (consultar a ficha técnica da ferrata).

Asseguramento

O asseguramento é realizado de forma individual (sem corda) conectando os mosquetões do dissipador ao cabo de aço instalado e que marca, de algum modo, o caminho a seguir. Nas transições entre as secções do cabo, passa-se um mosquetão de cada vez, de modo a que, pelo menos um deles, sempre estará conectado à linha de vida (cabo de aço). Apesar de se tratar de um sistema simples, um erro apenas pode ser fatal. Se a actividade for feita com crianças, com pessoas pouco habituadas, ou se o grau de dificuldade da via for muito elevado, então complementa-se o sistema de auto-asseguramento com técnicas de escalada (progressão encordados em ensamble com pontos de seguro intermédios ou através da instalação de reuniões) como  foi acima descrito.

aseeguramento tradicional

Asseguramento com corda, dissipadores, e …

seguro intermedio

com seguros intermédios e reuniões

Precauções

As ferratas são muito perigosas com trovoada… MUITO MESMO!!!

Conecte os mosquetões com os gatilhos virados para si e não para a rocha.

ferrata_set

Gatilhos afastados da parede

Nunca entre numa secção onde já esteja outro ferratista, especialmente se esta for vertical ou oblíqua. A queda do primeiro irá arrastá-lo a si. Lembre-se que, numa queda, o ferratista vai ficar 2 a 3 metros por baixo da última ancoragem. Mantenha a distância e evite aglomerações. Sair cedo costuma ser uma boa ideia.

Não faça ultrapassagens a não ser que existam locais habilitados para o efeito (vários mortos).

Mova-se com precaução e sempre em equilíbrio. Mantenha sempre três pontos de apoio na parede. Utilize a força das pernas para a impulsão e os braços para se estabilizar (… pois, nem sempre é possível …)

Evite arremessar pedras ou outros objectos. Se tal acontecer dê a voz de alarme gritando “PEDRA!” (piedra, rock, …)

Se a linha de vida, nas secções verticais, não apresentar laço de retenção (ver imagens), então devemos progredir encordados instalando reuniões. Isto deve-se ao facto de o risco de rotura dos mosquetões por impacto na argola de ancoragem, em caso de queda, ser muito elevado.

Consulte a ficha técnica da via ferrata. Esta informação pode ser encontrada em guias e muitas vezes em painéis informativos no inicio dos itinerários.

Linha de  vida - ferrata

Sem laço de retenção – risco de rotura dos mosquetões

Ancoragem ferrata

Com laço de retenção

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Considerações finais

Rapel em ferrata

Saída da via em rapel

Progredir numa via ferrata não é fazer escalada. Apesar do grau de compromisso ser substancialmente inferior, não está isento de riscos. Para todos os efeitos, o praticante evolui por zonas verticais que por vezes são vertiginosas. Requer habituação ao mundo vertical. Conhecer as técnicas específicas da escalada (manobras com cordas, asseguramento e rapel) é estabelecer uma margem de segurança significativa, sobretudo em vias nos Alpes e nos Pirinéus.

A leitura deste artigo não o habilita a realizar esta actividade de forma autónoma e segura. Existem inúmeras situações onde só a experiência, um companheiro experimentado, um guia credenciado ou um curso de formação podem ensiná-lo a ultrapassar.

Todas os aspectos relacionados com segurança e risco, aplicam-se a todas as ferratas, mesmo as mais acessíveis ou de iniciação.

 

Numa via ferrata não se pode cair. Mesmo que o sistema de retenção funcione na perfeição basta olhar para a quantidade de ferro que ali está para perceber que vai ser, no mínimo, doloroso.

Nota de segurança: não una o dissipador ao arnês com um mosquetão (dois mortos em França por este motivo).

Nas ferratas bem desenhadas, a passagem mais difícil costuma ser logo no início da via. Assim, já podemos ter uma ideia do que nos espera. Mas isto não é regra.

Boas aventuras, mas com juízo!!

Até à próxima!
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Técnica e Material

Escolher bastões de trekking

bastões de trekking

 

Os bastões de trekking são, hoje em dia, um equipamento essencial para caminhantes, pedestrianistas, trekkers e alpinistas. Qual razão disto?

Os bastões (battons em françês) melhoram grandemente a estabilidade, conferindo melhor apoio em qualquer tipo de terreno. Na compra destes, devem-se ter em conta algumas características: peso, preço, sistemas de absorção, material  e  empunhadura.

 

 

 

Vantagens da utilização de bastões na marcha:

  • melhoram o equilíbrio e o andar;
  • nas descidas, aliviam a carga sobre as pernas e articulações;
  • transferem carga das pernas para os ombros, braços e costa nas subidas. Este facto reduz a fadiga muscular nas pernas e melhora o ritmo de ascensão;
  • aumentam a segurança na travessia de rios, pedreiras, zonas de neve e gelo, e encostas escorregadias (neve, erva, gravilha, …);
  • ajudam a estabelecer e a manter um ritmo de marcha.
  • são um bom acessório para improvisar uma maca, fazer um abrigo, ou realizar uma ancoragem na neve.

São indispensáveis para praticantes com joelhos e ancas “tocados” e nas saídas com raquetes de neve. Alguns estudos estimam um alívio de cerca de 300 toneladas numa caminhada de 9 horas.

Tipos de bastões de trekkingbastões de trekking

  • Bastões anti-choque – bastões com sistema amortecedores de vibrações e choque. (podem ser interessantes para alguns mas acho que não valem o dinheiro);
  • Bastões standard – mais baratos e mais leves do que os primeiros (e fazem o mesmo efeito);
  • Bastões de mulher ou criança – são mais pequenos e mais leves do que os standard;
  • Bastões de passeio – vendem-se às unidades e não aos pares.

Considerações

Na compra do bastões de trekking devem ser tidos em consideração vários aspectos:

  • peso;
  • construção: em alumínio (mais barato) ou em carbono (mais caro);
  • estrutura: dois ou três segmentos – com três segmentos, os bastões, apesar de serem estruturalmente mais débeis, são mais fáceis de arrumar e transportar. Na marcha não se usam bastões de um segmento, comuns no esqui;
  • empunhadura: esta pode ser simples ou estendida; em cortiça, espuma ou borracha. Eu uso a simples de borracha.
  • Correias: que tenham um sistema de ajuste simples mas decente.  Alguns são esquisitos e não são nada práticos.
  • Rosetas: de marcha e de neve intercambiáveis.

    bastões de trekking

    Rosetas

  • Sistema de fixação dos segmentos: normalmente são tipo “rosca”.

Conclusões

Não voltem ao monte sem eles, nem que seja para um passeio. Em neve são indispensáveis, sobretudo com raquetes no pés. Realmente poupam esforço a subir e os joelhos a descer. Não comprem uma coisa muito cara cheia de gadgets xpto que não servem para nada. Confirmem que se podem trocar as rosetas (alguns são um martírio) e que existem peças para reparações (roscas), rosetas e mangas para as pontas de aço. Os que nos interessam são vendidos ao pares e o seu preço oscila entre os 40 euros e os 120 euros (o par).

Notas finais

Em terreno alpino (neve,gelo, compromisso, risco de queda,…) os bastões substituem-se pelo piolet. Neste ambiente, alguns manuais sugerem a utilização de um bastão “no lado do vale” e um piolet no “lado do monte”. Alguns alpinistas discordam desta solução pois consideram que compromete a auto-detenção em caso de queda.

Um amigo meu, apreciador da escalada, disse-me também que nunca os usa em terreno fácil (caminhos,…) pois tendem a “facilitar demasiado” os apoios provocando sensações de desequilíbrio quando estamos sem eles.

Quando o terreno se torna muito inclinado e simultaneamente rochoso, onde usar as mãos é uma necessidade, então está na hora de arrumar os bastões e tirar o capacete.

Brevemente colocarei um post sobre como ajustar e utilizar correctamente os bastões de trekking.

Já usam bastões de trekking? Partilhem a vossa experiência.