Ascensões

Ascensão a Peña Orniz (desde La Cueta)

Peña Orniz é o segundo pico de maior altitude, depois do Cornón,  no Parque Natural de Somiedo, nas Astúrias. É um cume fantástico e simultaneamente bastante acessível. É uma varanda privilegiada para as Ubiñas, a Este, e para El Cornón, a Oeste. A panorâmica sobre a alta montanha asturiana e leonesa dos Cantábricos, especialmente sobre o belíssimo Valle de Lago, fazem desta montanha um objectivo muito cobiçado. Os próprios itinerários, quer o aqui descrito, quer pela sua via asturiana, são em si mesmos espectaculares, sobretudo com neve. A sua vertente Noroeste é uma muralha vertical com cerca de 200 metros de altura e a sua ascensão faz-se pela vertente Sudeste, muito mais suave e apta para todos. Com um desnível respeitável e uma distância a percorrer não desprezável, esta actividade requer uma boa condição física.
penã orniz

Penã Orniz, face noroeste.

Tipologia da actividade: ascensão

Base: La Cueta (aldeia) –  Cume: Peña Orniz – Desnível: 735 m –Altitude mínima: 1446 m – Altitude máxima: 2191 m

Dificuldade UIAA: SD/F – Dificuldade Subjectiva – Média/Alta – Tempo estimado: 6 a 7 horas  – Mapa: folha  IGN-SGE

Itinerário: La Cueta – Majada de Covalancha – Col de las Morteras – Col de Orniz – Peña Orniz – Fuentes del Sil – La Cueta Distância: 16,5 km

Notas: horário meramente indicativo para uma ascensão estival com condições meteorológicas favoráveis; o itinerário acompanha o leito do rio Sil até à sua nascente.

Situação: Espanha, Asturias e Leon, Parque Natural de Somiedo, Babia, Fuentes del Silorniz

Como chegar: Desde Oviedo pela A-66 até Embalse de Barrios de Luna; CL-626 até Piedrafita de Babia; C-633, Vega de Viejos – La Cueta. Desde Ponferrada pela Cl-631 até Villablino; C-623 até Piedrafita de Babia; C-633, Vega de Viejos – La Cueta.

Descrição:

Deixamos o carro na aldeia de La Cueta, que se encontra a 1446 metros de altitude, a mais “alta”   de Castela e Leão. É um lugar isolado mas simultaneamente muito pitoresco e não falta um bar com uma esplanada e cerveja gelada para o regresso.

penã orniz

Saindo da aldeia em direcção Nordeste, começamos o percurso num estradão que acompanha o rio Sil pela sua direita (quase um regato a esta altitude) até à ponte de Bustusil (A – Alt: 1550m, 40 min).

Aqui atravessamos o rio para o outro lado e o estradão desaparece dando lugar a um caminho de montanha de escassa dificuldade técnica mas que vai subindo lentamente até à Majada de Bustusil (B- Alt: 1600m, 55 min) , um refúgio de pastores.

Continuamos, seguindo o vale, até aos Prados de Cebolléu (C – Alt: 1650m, 1h 15 min).

peña orniz

Aqui desviamo-nos para a Majada de Covalancha, outro abrigo de pastores (D – Alt: 1650m, 1h 40 min).

Chegados a este ponto temos duas alternativas:  contornar as vertentes do Cuetalbo pelo lado sul (mais fácil – percurso amarelo) ou ascender, afastando-nos do rio, até ao Col de Las Morteras (mais bonito – percurso verde) .

Descreverei este último pois foi o que realizei. Chegado ao Col de Las Morteras  (E – Alt: 1873 m, 2 h 00 min) vemos já a muralha Noroeste do nosso objectivo.

penã orniz

Continuamos, com paisagem deslumbrante, por terreno pedregoso até ao Col de Orníz (F – Alt: 2000 m, 2h 20 min ) para alcançar um ponto na base Sudoeste deste.

Ascendemos em direção Nordeste,agora com um forte desnível, até ao cume a 2191 metros de altitude em menos de 3 horas.

peña orniz

A paisagem no cume é, como habitualmente, espectacular. Divisam-se os Picos de Europa. Há uma caixa de cume e uma estrutura metálica que indica o ponto exacto.

penã orniz

Regresso pelo  caminho marcado a amarelo (ver mapa) , que contorna o Pico Cuetalbo pela vertente Sul, através das Fontes do Sil.

penã orniz

Atenção a:

  • não há muita água “potável”;
  • terreno algo inclinado e aéreo perto to cume;
  • aparecimento de nevoeiro e trovoadas;
  • Restrições ambientais do Parque Natural de Somiedo (interdição das zonas com bosques)

Notas finais:

É possível fazer o regresso por por outros itinerários e ascender a alguns cumes vizinhos como o Cuetalbo.

Mapa do percurso: A – ponte de Bustusil; B – Majada de Bustusil; C – Praderas de Cebolléu; D – Majada de Covalancha; E – Col de las Morteras; F – Col de Orniz

peña orniz
 

Apesar de ser uma ascensão “sem dificuldade” na escala da UIAA, é preciso estar em boa forma física.

Comentem!!!

Boas aventuras a todos!

Fotografias: Artur Coelho
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Ascensões

Pico Tiatordos

Situação: Espanha, Asturias, Parque Natural de Redes, Concelho de Caso
Como chegar: Desde Oviedo pela AS-7, Aviles- Puerto de Tarna, Ponticiella, Pendones

Desnível: 1150 m –Altitude mínima: 801 m – Altitude máxima: 1951 m

Dificuldade UIAA: SD/F –  Tempo estimado: 6 a 7 horas  – Mapa: folha 79 IGN-SGE

Itinerário: Pendones-Palombar-Tiatordos –  Distância: 5,5 km

Nota: horário meramente indicativo para uma ascensão estival com condições meteorológicas favoráveis.

Fotografias: Artur Coelho e Miguel Rodrigues

Pico Tiatordos

O Tiatordos – vertente sul, a mais amena

Opinião:

O Tiatordos, apesar da sua modesta altitude, é um pico de grande beleza e espectacularidade. É o cume rei do cordal de Ponga, e do  alto dos seus 1951 metros de altitude é possível avistar o maciço ocidental dos Picos de Europa a Este e o maciço de Peña Ubiña a Oeste. A sua vertente Norte é uma parede vertical com cerca de 500 metros de altura e a sua ascensão faz-se pela sua aresta Oeste . Apesar de um desnível respeitável, a distância a percorrer não é elevada, o que o torna num objectivo cobiçado por muitos montanhistas, sobretudo no Inverno, exigindo, nesta altura do ano, a utilização de técnicas e material de alpinismo.

 

Descrição:

Deixamos o carro no parque de estacionamento de Pendones, uma aldeia muito agradável, com um restaurante de grande qualidade, propriedade de gente simpática e atenciosa. O dono viveu em Portugal, em Ermesinde, há já muitos anos e nutre um especial apreço pelos portugueses.

Começamos o percurso por um caminho marcado, cimentado nas primeiras cmajada plaganuentenas de metros, em direcção nordeste. Deixamos a aldeia para trás e evitamos os dois primeiros desvios à esquerda. Passamos uma ponte e agora sim, desvia-mo-nos à esquerda. É crucial não cometer erros de navegação nesta fase pois são praticamente impossíveis de corrigir, a não ser, voltando para trás (acreditem que sei do que falo!). Ver mapa no final deste artigo – zona A.

Vamos ganhando altura por um caminho empedrado e marcado até chegarmos às cabanas de Palombar

e logo a uma curva onde deixamos o caminho para apanhar um trilho muito estreito através da “Foz de Palombar (Mapa- zona B)”. Evoluímos entre a Peña de Palombar e o Xerru Mateos que é em si mesmo um contraforte do Tiatordos. O caminho atravessa a “majada de Plaganu”, um lugar paradisíaco com uma vegetação luxuriante e uma fonte. Aqui o trilho continua, primeiro, através de um bosque de faias e depois de piornos, até à ampla “majada do Tiatordos”, uma espécie de prado de altura com umas construções em ruínas (Alt:1540m, 2h 15).

base pico

Prado na base do Tiatordos

base do tiatordos

Base do Tiatordos

Certifiquem-se que memorizaram exactamente o ponto onde o caminho entronca neste prado. A sua localização é crucial para o regresso (mapa – zona C). Aqui, através da vegetação e em direcção Noroeste, chegamos à base do Tiatordos em poucos minutos. Agora, não há um caminho definido. A ideia é ir subindo de modo a nos irmos aproximando da aresta oeste, o mais à esquerda possível na encosta da montanha. E continuamos a subir! Subimos ainda mais!

aresta final tiatordos

Cume do Tiatordos

 

Raramente se utilizam as mão, mas pode ser necessário alguma trepada curta.O percurso torna-se bastante aéreo mas a aresta cimeira é fácil e ampla, pelo menos do lado direito. A paisagem no cume é espectacular. Divisam-se os Picos de Europa. Há um pequeno monumento em ferro, tributo aos montanhistas, uma caixa de cume e um marco geodésico (alt:1951; 3h00). Regresso pelo mesmo caminho.

 

 

Caixa de cume tiatordos

Aresta Oeste e caixa de cume

Atenção a:

  • dificuldades de navegação no início do percurso e na “majada do Tiatordos” no regresso;
  • não há água a não ser nas duas fontes;
  • terreno algo inclinado e aéreo perto to cume;
  • aparecimento de nevoeiro;
  • restrições ambientais promovidas pela administração do Parque de Redes;
  • desnível a ultrapassar.

Notas finais:

É muito fácil cometer erros de navegação neste itinerário. A vegetação é luxuriante e há caminhos marcados por todos os lados que não vão dar a lugar nenhum. Adentrar-se por engano naqueles bosques pode comprometer a realização da actividade ou mesmo um regresso tranquilo. Levem um mapa militar na escala 1:25 000. Vai ser de grande ajuda. Aproveitem para jantar no restaurante que vos falei no início :))

Aresta sul do Tiatordos

Aresta Este do Tiatordos, desde o cume

Homenagem aos montanhistas no cume do Tiatordos

Homenagem aos montanhistas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mapa do Tiatordos

Mapa – zonas problemáticas para a navegação

 

O mapa aqui ao lado mostra o percurso acima descrito. Estão também assinaladas,com circunferências vermelhas, as zonas problemáticas em termos de navegação.

Apesar de ser uma ascensão “sem dificuldade” na escala da UIAA, é preciso estar em boa forma física pois o desnível a superar é de 1150 metros.

Último conselho: levem um frontal… 😉

Então e vocês, já alguma vez subiram esta belíssima montanha? No verão ou no Inverno?

Partilhem as vossas vivências!

Boas aventuras a todos!

Até à próxima!

 

 

 
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