As botas

Como vestir-se em montanha: as botas

botas de montanha

 

As botas são um dos elementos da indumentária do montanheiro que deve merecer maior atenção. Podemos vestir ou despir casacos e forros polares, t-shirts, meias e gorros se necessitarmos mas as botas estão “lá” do princípio ao fim da nossa actividade. Escolher umas com cuidado e atenção pode ser a diferença entre arranjar “umas companheiras inseparáveis” ou um instrumento de tortura.

Existe uma enorme variedade de modelos e marcas que utilizam diferentes materiais e cores, com finalidades e desempenhos diferentes. A oferta é tal que se chega ao limiar do ridículo… sobretudo no preço.
Antes de comprar umas botas devemos balizar o seu o seu propósito: vou para o Polo Norte ou quero fazer o caminho de Santiago no verão? É fundamental possuirmos uma ideia mais ou menos precisa sobre aquilo que pretendemos fazer.
Como já vimos noutros artigos, o material perfeito não existe. Umas botas para a montanha ibérica estival não são adequadas para o frio extremo dos Himalayas e umas botas plásticas não “servem” para pedestrianismo.

A escolha mais sensata para um montanheiro ibérico, é qualquer coisa a cavalo entre umas botas de trekking e umas de alpinismo. O ideal será possuir um par de cada.

No final dos anos 70, aquela bota dura e pesada de couro começou a dar lugar às botas de plástico para alpinismo e às de pele combinada com Cordura (nylon) para actividades menos comprometidas. Infelizmente, esta dicotomia extrema está presente nas mesmas actividades pois é possível ver-se botas de pedestrianismo nos glaciares dos Pirinéus e de plástico nas pedreiras dos Cantábricos. As primeiras não oferecem a rigidez exigida, não sendo possível pontapear a neve para “fazer degrau”, “usar os cantos” de forma eficiente ou colocar corretament uns crampons ; as segundas não nos dão a sensibilidade suficiente ao terreno sendo terrivelmente quentes e incómodas em terrenos sem neve ou gelo.

No entanto um compromisso pode ser alcançado. Uma bota para a montanha ibérica deve ser de pele ou esta combinada com kevlar para diminuir o peso. Deverá apresentar uma sola tipo Vibram com um grau de rigidez assinalável sendo as ranhuras para os crampons são um bom indicador, com a ponteira e o calcanhar também rígidos e reforçados. O cano deve proteger eficazmente os tornozelos de forma a evitar o pesadelo das entorses, deve ser impermeável e transpirável (possuir membrana microporosa). Na realidade não existem botas completamente estanques (salvo as de borracha dos pescadores) e o “Gore-Tex” vai-se estragando com o uso, mas sempre se pode tratar a pele com produtos hidro-repelentes como as ceras da Nikwax.
Pessoalmente costumo substituir as palmilhas de fábrica por umas com maior capacidade de amortecimento (gel) para “poupar um pouco mais os joelhos”.
Prefiram os cordões a sistemas alternativos como velcros ou ganchos (keep it simple!) e cujo peso se situe entre 1500 a 2000 gramas o par, para o tamanho 8.
Muitas marcas disponibilizam modelos específicos para as mulheres cuja forma tende a ser mais estreita (importante!!!) adequando-se melhor ao pé feminino que ficaria a “nadar” dentro de uma bota para homens. São as variantes Lady!

Vejamos em seguida alguns exemplos:

Bota Salomon GTX Ladypedestrianismo e trekking ligeiros

botas de trekking

Salomon GTX Lady

Esta bota, muito leve, com sola Contagrip (excelente) e Gore-Tex é extraordinariamente cómoda para andar em todo tipo de terreno excepto neve e gelo.

Para o terreno alpino é demasiado leve e flexível e não admite crampons por este motivo. Esta marca já foi a minha preferida e ainda tenho alguns modelos que uso de vez em quando.

A combinação de pele, Cordura e borracha fazem desta bota uma maravilha da técnica que a convertem numa raínha da baixa/média montanha.

Bota Bestard Spider K – trekking/montanhismo

botas de trekking

Bestard Spider K

Uma belíssima bota de trekking para os maciços montanhosos ibéricos. Com 1600 gramas o par e com uma sola já com alguma rigidez, este modelo que combina pele e kevlar é a minha preferência para quase todas as actividades.

Muito cómodas e com uma relação qualidade preço excelente, são um bom compromisso para a montanha estival.

As solas não “cramponáveis” excluem-na do terreno alpino (neve dura e glaciares).

Excelentes prestações na média/alta montanha.

Bota Boreal Super Latok – Alpinismo

botas de alpinismo

Boreal Super Latok – Atente-se nas ranhuras para os crampons na ponteira e no calcanhar

Sem entrar nas plásticas (na minha opinião, demasiado incómodas e pouco versáteis) este modelo integralmente fabricado em pele foi a minha opção para a alta montanha .

Variantes mais modernas, que integram kevlar permitiram baixar o seu peso que neste caso se situa em algo mais de 2 kg. Este modelo contém também uma camada de isolamento térmico para o frio extremo.

Apesar de algo pesadas são bastante cómodas e muito eficazes afirmando-se como uma bota alpina por excelência.

Últimos conselhos:

-Não comprem sem experimentar. Há modelos que não se adaptam a todos por igual.
-Seleccionem o vosso número natural. Umas botas demasiado grandes ou pequenas só vão causar problemas;
-Umas boas meias (boas=caras no universo das meias) são muito importantes;
-Umas polainas são o complemento ideal.

Espero que vos seja útil. Boas aventuras!

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